quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Procon-SP tira dúvidas sobre compra de imóvel na planta

O Procon-SP elencou as perguntas e respostas mais frequentes dos consumidores sobre compra de imóvel na planta no no blog do órgão.




O serviço faz parte da série "Procon Responde", que a entidade publica desde janeiro desse ano. Confira a íntegra:



1 - Comprei um imóvel na planta e, no contrato, há uma cláusula que dá à construtora o direito de atrasar a obra em até 180 dias. Isso é permitido?

Não. O Procon-SP considera esta cláusula abusiva, portanto, nula de pleno direito.



2 - A obra está atrasada e eu quero cancelar o contrato, tenho direito de receber o meu dinheiro de volta?

Sim. Em caso de atraso da obra, o consumidor que quer cancelar o contrato tem direito de receber de volta tudo que pagou, corrigido monetariamente.



O consumidor tem ainda direito de ser ressarcido por eventuais gastos causados pelo atraso na entrega das chaves, como aluguel, por exemplo.



3 - Ainda não recebi as chaves e o condomínio está sendo cobrado. Essa cobrança é permitida?

Se o atraso na entrega das chaves não estiver relacionado a problemas com a documentação do consumidor para assinatura do contrato de financiamento, a cobrança de condomínio é indevida.



4 - A construtora pode impor pagamento de taxas de assistência jurídica e de interveniência?

A construtora não pode impor a cobrança de taxa de assistência jurídica ou assistência técnica imobiliária. O serviço só pode ser cobrado se for solicitado pelo consumidor.



A empresa deve informar de maneira clara em que consiste tal prestação de serviço e o valor a ser pago pelo contratante. A taxa de interveniência, cobrada quando consumidor escolhe outro banco para fazer o financiamento, que não o indicado pela construtora, também é considerada abusiva.



5 - O consumidor é obrigado a pagar taxa de corretagem?

O corretor de imóveis é o profissional que realiza a negociação entre duas partes: o consumidor (comprador) e o fornecedor (empreendedor/vendedor).



A comissão de corretagem é o pagamento pelo serviço prestado. Normalmente, cabe ao vendedor do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da corretagem, salvo se o comprador optou pela contratação deste profissional.



Na maior parte das vezes, o vendedor tenta transferir a despesa para o comprador, estipulando em contrato que a obrigação de pagamento será do consumidor. Isso é abusivo.



Portanto, é proibida a cobrança da comissão de corretagem nos lançamentos imobiliários, nos quais o consumidor se dirige diretamente ao local de venda (estandes) para aquisição do imóvel.



6 - Os panfletos de publicidade devem ser guardados após ser concretizada a compra?

Sim. É importante guardar todos os prospectos publicitários do imóvel para garantir o cumprimento da oferta por parte da empresa.



De acordo com o artigo 30 do Código de Defesa do Consumidor, "toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação, com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado".



7 - Quais os cuidados necessários ao assinar o contrato de compra e venda?

Alguns cuidados devem ser observados antes de assinar o contrato de compra e venda. São eles:



- Somente realize o negócio com a intermediação de um corretor de imóveis devidamente inscrito no Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis).



- Leia atentamente o contrato e, caso haja dúvidas, procure a orientação de um órgão de proteção e defesa do consumidor ou de um advogado especializado.



- O contrato deve ter a qualificação e o endereço das partes, nome e localização do empreendimento, número e data do registro, localização completa da área do imóvel, área útil e comum da unidade, preço, prazo, valor do sinal, forma e local de pagamento e taxas de juros de financiamento e de mora.



- Exija o contrato de compra e venda devidamente assinado pelas partes e por duas testemunhas.



8 - O banco que financiará o imóvel pode condicionar a liberação do crédito à abertura de conta corrente ou contratação de outros produtos e serviços?

Não. Essa prática é a denominada "venda casada", considerada abusiva e proibida pelo artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor.



9 - Os contratos podem sofrer reajustes durante o período da obra?

Sim. Essas informações devem estar contidas no contrato de forma clara, precisa e ostensiva. Durante a construção, o índice a ser aplicado geralmente é o indicador da evolução dos custos da construção civil, principalmente o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).



Após a construção/entrega das chaves, o índice será o estabelecido com a construtora ou com o agente financeiro, o que deve ser informado previamente.



O Procon-SP ressalta que, durante a construção e antes da entrega das chaves, não poderá haver a cobrança de juros.



A próxima publicação da série no blog será sobre aluguel de imóveis.



Affonso/Editoria de Arte/Folhapress



As perguntas chegam por meio do próprio blog e das redes sociais, embora a entidade não faça atendimento por esses canais.



Em caso de problemas, o consumidor deve procurar o Procon-SP pelos seguintes canais:



Telefone

151 (só para a capital)

Horários: de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 7h às 19h (ligação tarifada).



Fax

(11) 3824-0717

Horários: de segunda a sexta, das 10h às 16h



Cartas

Endereço: caixa postal 1151, CEP 01031-970, São Paulo/SP



Postos Poupatempo (antes de ir, a entidade recomenda ligar (0800-772-3633) para verificar se as senhas foram encerradas; em outras cidades o consumidor pode procurar o Procon conveniado)



Itaquera

Endereço: av. do Contorno, S/N, Itaquera (ao lado do metrô)

Horários: de segunda a sexta, das 7h às 19h, e sábado das 7h às 13h.



Santo Amaro

Endereço: rua Amador Bueno, 176/258 - São Paulo - SP (próximo ao Largo Treze de Maio).

Horários: de segunda a sexta, das 7h às 19h, e sábado das 7h às 13h.





Endereço: praça do Carmo, S/N, Centro.

Horários: de segunda a sexta, das 7h às 19h, e sábado das 7h às 13h.



Atendimento eletrônico

Site: procon.sp.gov.br

Horário: de segunda a sexta, exceto feriados, das 10h às 16h



Fonte: Folha Online - 26/02/2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Aumenta o número de ações de cobrança de condomínio em janeiro

Com 985 processos, o crescimento foi de 42,14% em comparação ao mês de dezembro


14/02/2013



O número de ações de cobrança por falta de pagamento da taxa de condomínio em São Paulo cresceu 42,14% em janeiro deste ano, segundo levantamento do Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), realizado no Distribuidor Forense da Capital. Ao todo, foram protocoladas 985 ações, contra 693 casos no mês de dezembro.



Este número foi o maior na comparação dos meses de janeiro desde 2007, quando se observou 1.038 ações. Para Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato, o que pode contribuir para o aumento de ações nessa época são as despesas de final de ano. “Além dos gastos com presentes, viagens e lazer, devemos considerar o pagamento de impostos e taxas como IPVA e IPTU, que fazem com que as renegociações de dívidas existentes sejam adiadas.”



A recomendação do Secovi-SP é que síndicos e administradoras reforcem as negociações de cobrança, buscando conscientizar os condôminos da importância desse pagamento para a manutenção da saúde financeira do condomínio. Contudo, Gebara acredita que a alta não vai alterar o quadro de estabilidade observado em 2012, e espera o que o número de acordos amigáveis aumente nos próximos meses.



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O preço “invisível” do imóvel

O preço “invisível” do imóvel


Para ex-presidente do Secovi-SP, construir na maior metrópole do País está cada vez mais difícil e, consequentemente, mais caro






Walter Lafemina*



Quanto custa um imóvel? A resposta simples seria fácil: seu preço é formado pelas despesas com terreno, projeto, documentação, divulgação e comercialização, materiais, mão de obra, taxas, impostos e margem de lucro do empreendedor.



Acontece que esse raciocínio lógico, aplicável a outros tipos de produtos, não funciona bem assim quando se trata do mercado imobiliário da cidade de São Paulo. Construir na maior metrópole do País está cada vez mais difícil e, consequentemente, mais caro.



Aqui, a aprovação de um projeto imobiliário é um verdadeiro percalço. São várias instâncias, um labirinto de balcões e carimbos que só agora começa a ser eliminado com a possibilidade de autorizações on-line, as quais, além da agilidade, garantem transparência ao processo – o que é muito positivo.



Mesmo com as facilidades da era virtual, a documentação é imensa, e a demora maior ainda. Como tempo é dinheiro, a espera para obter a aprovação encarece o empreendimento. Este é um custo, invisível ao comprador, que impacta o preço final do imóvel.



E existem outros fatores de oneração. Um deles é o Plano Diretor Estratégico de São Paulo de 2002. Imaginando diminuir o preço dos terrenos, a lei reduziu os coeficientes de aproveitamento básico do solo e estabeleceu limites que variam de 1,0 até 2,0, dependendo da região da cidade (note-se: em Nova York, esse coeficiente chega a 20 vezes a área do terreno). Só que o tiro saiu pela culatra: os terrenos escassearam e encareceram!



Em alguns poucos lugares da cidade, é possível edificar além desses limites – porém, no máximo até 4 vezes. Mas, para construir nesse patamar, o mercado tem de adquirir potencial adicional de construção do poder público – a chamada outorga onerosa.



As empresas também passaram a realizar operações urbanas. E ambos os mecanismos, regulamentados pelo Estatuto das Cidades, são contrapartidas financeiras que o setor faz para que a prefeitura (que se tornou uma espécie de ‘sócia’ do mercado imobiliário) invista em benfeitorias urbanas.



Os empreendedores deixaram de apenas promover a produção de moradia, comércio, cultura ou lazer, viabilizando a ocupação da cidade. Na verdade, as contrapartidas ganharam tal proporção que estamos bancando pontes, viadutos e outras obras que deveriam estar no orçamento municipal. Demora pouco e estaremos fazendo metrô!



Este ano, teremos a revisão do Plano Diretor. O instrumento das contrapartidas deverá ser mantido. Todavia, é hora de considerar que o passivo desse modelo também recai sobre o preço dos imóveis. No fim das contas, quem paga a conta também é o consumidor. É mais um custo “invisível”.



A capital paulista tem permanente demanda por novas unidades. São residências que têm de ser produzidas a valores compatíveis com a renda das famílias que se formam ou que buscam melhores condições de habitação. Para tanto, é preciso rever as leis, aumentar o aproveitamento dos terrenos, estabelecer níveis adequados para as contrapartidas e, assim, baratear o preço dos imóveis.



Recente pesquisa do Ibope revelou que 56% das pessoas que vivem em São Paulo gostariam de mudar de cidade em busca de mais segurança pública, menos trânsito. Em edição anterior, a mesma pesquisa registrou idêntico porcentual.



Ora, entre uma e outra, o quadro permaneceu igual. Por ilação, pode-se concluir que ninguém foi embora. As pessoas permanecem e tantas outras vêm, pois São Paulo, por mais difícil que seja, é onde as oportunidades existem. Uma cidade global que merece ser mais amada e respeitada por aqueles que dela se valem. Uma metrópole que precisa de leis que permitam adequado aproveitamento do solo, com adensamento inteligente e sustentável para que seus cidadãos possam viver bem. Simples assim.



*Ex-presidente do Secovi-SP, conselheiro da Brookfield Incorporações S/A e titular da WGL Administração e Participações Ltda.

Imóvel na planta pode ser feito ′sob medida′ para o cliente


Um apartamento com a cara do cliente, mas sem o transtorno de ter que contratar funcionários, pesquisar e escolher material ou esperar longos prazos antes de receber o espaço pronto para morar. Essa é uma proposta cada vez mais comum entre as construtoras, que oferecem a possibilidade de fazer alterações no imóvel ainda planta.

O serviço é um diferencial competitivo na hora de oferecer um novo empreendimento. Para não virar bagunça, as construtoras costumam oferecer um leque de possibilidades --como a configuração do apartamento ou o acabamento usado.

Segundo Vitor Marques, gerente de marketing da Marques Construtora, cerca de 90% dos compradores de imóveis fazem algum tipo de alteração na planta original. A mais comum, segundo ele, é a retirada de paredes.

"Mais da metade escolhe abrir mão de um quarto e aumentar a sala de estar. Em plantas com quatro dormitórios, a maioria pede três. Só as de dois quartos costumam ficar originais", diz Marques.

 Danilo Verpa/Folhapress 
A advogada Maria Helena Gurgel Prado fez, com o auxílio de uma decoradora, ajustes na planta do imóvel
A advogada Maria Helena Gurgel Prado fez, com o auxílio de uma decoradora, ajustes na planta do imóvel
No mercado, não há uma padronização e cada empresa tem autonomia para criar as regras, e claro, negociá-las com o consumidor.

"O ideal é que a definição ocorra antes do início das obras para permitir que o construtor se planeje para ter os materiais nos momentos certos. As alterações não podem afetar a estrutura do edifício e devem sempre obedecer aos limites de instalações hidráulicas e elétricas", diz o vice-presidente de imobiliário do Sinduscon-SP (sindicato da construção), Odair Cunha.

PADRÃO MELHOR

Atualmente, a proposta de personalização é mais comum a empreendimentos de médio a alto padrão, mas começa a se espraiar para outros segmentos.

Na Gafisa, o sistema "Personal Line" se iniciou em 1998 e permite que os clientes, com o apoio de um profissional de arquitetura, definam a planta e os acabamentos. Kátia Varalla, diretora de produto da empresa, diz que as opções de planta não têm custo adicional, mas que há preço diferenciado para acabamentos como porcelanatos, louças, metais, mármores e granitos.

Segundo Marques, a mudança na planta de uma unidade tem custo para a construtora, mas que o valor é absorvido pela opção de compra do cliente.

"Acaba sendo vantajoso para o cliente, porque terá material diferenciado por preço menor que conseguiria no mercado. E não vai ter desperdício. Ele não vai pagar pelo acabamento padrão, que teria de ser retirado para colocar um melhor, posteriormente. E a construtora deixa de comprar o padrão. É um custo administrativo", argumenta o executivo.

A política da Conartes, construtora com atuação mais concentrada em Minas, é tentar satisfazer exatamente o que o cliente deseja, segundo o gerente de comunicação da empresa, Thiago Xavier.

"Todas as propostas de alterações são analisadas. Por isso, é difícil falarmos de custos, mas existem os que alteram completamente o projeto inicial, e a mudança pode custar um valor até próximo ao do imóvel."

IDENTIDADE

A advogada Maria Helena Gurgel Prado fez, com o auxílio de uma decoradora, a simulação das possibilidades de alterações no próprio site da construtora Luciano Wertheim.

"Para olharmos os materiais, eles montaram no térreo do próprio prédio uma sala com amostra de todos os acabamentos que seriam usados e os que poderíamos trocar. No site, ao clicar no apartamento escolhido, todos os cômodos já apareciam com a descrição dos acabamentos", conta ela.

No caso do executivo de vendas, Gunther Calvente, a ideia de adaptar a nova moradia às suas demandas foi determinante para escolher a construtora. Há mais de dois anos, ele comprou um apartamento em São Paulo, com um desenho exatamente como imaginava.

"A praticidade de receber o imóvel já com as modificações foi o fator que mais pesou. E também fiquei satisfeito com a liberdade para agendar e visitar a nossa unidade, para ver o que eles estavam fazendo e ainda iriam fazer", diz Calvente.

Para Maria Helena, a possibilidade de proprietário imprimir sua identidade ao imóvel em construção é irreversível. "Com a carência de áreas verdes e a violência, muita gente quer ficar mais em casa, então personalizar os apartamentos é uma tendência que vai aumentar".

 Ilustração Carolina Daffara/Editoria de Arte 
Fonte: Folha Online - 24/02/2013

Imóvel novo em São Paulo encolhe e fica mais caro


por DANIEL VASQUES

Menores no tamanho, maiores no preço. Esse foi o movimento dos imóveis residenciais lançados na cidade de São Paulo de 2007 a 2012.

Em relação à área, uma casa ou apartamento novo mediam 102,3 m² em 2007 e 72,8 m² no ano passado. A redução foi de 29%, segundo dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), compilados pelo Secovi-SP (sindicato de empresas do setor).

Editoria de Arte/Folhapress
Em um cenário de preços estáveis, a redução não implica prejuízo ao consumidor, já que o valor médio da unidade cai conforme o seu tamanho diminui. Mas não foi o que aconteceu.

Em São Paulo, em vez de fazer o consumidor pagar menos, a redução na metragem foi neutralizada pelo forte aumento no valor do metro quadrado. O preço mais que dobrou nos últimos cinco anos, chegando a R$ 7.157 (alta de 124%), segundo a Embraesp.

Na prática, o comprador pagou em média R$ 193 mil mais por um apartamento que encolheu 29,5 m².

O MENOR DIMINUIU

A diminuição de um apartamento médio não quer dizer que todas as tipologias ficaram menores. Na realidade, no período, os imóveis ficaram do mesmo tamanho (no caso do de três dormitórios) ou maiores. A exceção ficou para a tipologia mais enxuta (um dormitório), que ficou ainda menor.

Após aumentar de tamanho em 2009 (de 49 m² para 55,7 m²), o um dormitório vem ficando mais apertado. A redução nos últimos três anos foi de 30% (para 39 m²), e o preço do metro quadrado teve valorização de 165%.

 Editoria de Arte/Folhapress 
Para o presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, a tendência é que os imóveis encolham, mas gradualmente:"Se aumentam os custos, tem de subir preços; se a capacidade de compra não cresce na mesma proporção, tem de fazer alguma mágica. E a mágica é tentar reduzir o imóvel".

O executivo financeiro Edilson Roberto Simões, 36, conta que pesquisou bastante antes de adquirir seis novos apartamentos compactos na região central de São Paulo. Ele diz que a procura por aluguel desse tipo de imóvel é grande por solteiros e universitários, o que, segundo ele, justifica o investimento.

 Editoria de Arte/Folhapress 
Fonte: Folha Online - 24/02/2013

Norma de qualidade para imóveis é aprovada e vale a partir de julho


A norma de desempenho de edificações habitacionais NBR 15.575 foi publicada pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e valerá a partir de 19 de julho. Os projetos a partir dessa data precisarão atender às exigências estabelecidas.

O documento institui níveis mínimos de qualidade em diversos quesitos, como acústico, térmico e de iluminação. Além disso, define a durabilidade de uma edificação em diversos sistemas, como de estrutura, paredes, revestimento e pisos.

Para a discussão da norma, participaram entidades do setor de construção, como o SindusCon (sindicato de construção) e o Secovi (sindicato de habitação), além de incorporadoras, bancos, construtoras e institutos de pesquisas, como o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Não houve a participação de entidades de defesa do consumidor.

A previsão da ABNT era que a norma fosse publicada em janeiro.

 Victor Moriyama/Folhapress 
Norma de qualidade valerá a partir de julho
Norma institui requisitos mínimos de qualidade para empreendimentos habitacionais e valerá a partir de julho
 Editoria de Arte/Folhapress 
Fonte: Folha Online - 22/02/2013

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Microapartamentos: o ′futuro′ chegou a SP?

Pela lei brasileira, cada preso deve ter um mínimo de 6m² nos centros de detenção do país. Mas se um casal resolver morar em um dos microapartamentos de luxo lançados nos últimos meses em bairros nobres de São Paulo pode ter apenas o dobro desse espaço per capita para chamar de "lar, doce lar".




Segundo um levantamento feito para a BBC Brasil pela Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), em 2012 foram lançados na cidade de São Paulo um total de 2.818 unidades residenciais de menos de 35m², um aumento de mais de 16 vezes em relação a 2008 (quando os lançamentos totalizaram 169 unidades).



Só para citar alguns exemplos, a incorporadora e construtora Vitacon acaba de lançar um imóvel de 25 m² na Vila Olímpia e outro de 21 m² em Perdizes; a MAC lançou o empreendimento "Now" no Alto da Boa Vista, que tem alguns apartamentos de 31 m²; e a Fernandez Mera promete entregar em abril o Vila Nova Concept, na Vila Nova Conceição, que tem estúdios de até 30 m² em edifícios com SPA, academia, home theater e espaço gourmet.



Além disso, os imóveis projetados para abrigar famílias estão cada vez menores. Hoje não é raro encontrar um lançamento de dois quartos com algo em torno de 55 m², por exemplo, o que ajuda a movimentar o filão dos móveis dobráveis e das revistas especializadas nos "segredos" da decoração de espaços pequenos.



"Por volta de 2007 e 2008 houve um grande número de lançamentos de apartamentos de três ou quatro dormitórios", explica Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp. "Agora, a surpresa são esses microapartamentos, que não raro se apresentam como empreendimentos de luxo, ficam em bairros bem localizados e oferecem serviços e área de lazer."



Segundo Pompéia, os apartamentos de até 35 m² visam atender a uma demanda criada, de um lado, por mudanças sociais e demográficas, como a redução do tamanho das famílias brasileiras, o aumento do número de solteiros e o envelhecimento da população, que infla o grupo dos idosos morando sozinhos.



Do outro, pelo aumento dos preços de imóveis e terrenos na cidade - que torna unidades maiores inacessíveis a muitas parcelas da população.



O crescimento econômico dos últimos anos motivou mais pessoas a correrem atrás do sonho da casa própria. Mas em muitos casos - e principalmente se quiserem morar em regiões centrais - o único que elas podem bancar é o microapartamento próprio.



Muitos empreendimentos também são oferecidos como opção de investimento. Segundo as empresas, os compradores poderiam lucrar alugando os imóveis para estudantes, executivos e estrangeiros. Pompéia, porém, recomenda cautela e diz que só uma análise caso a caso pode dizer se trata-se de um bom negócio.



′Futuro?′

A capital paulista não está sozinha nessa "onda dos microapartamentos".



Até os anos 90, relatos sobre os "miniflats" japoneses ainda causavam espanto em diversos países. Hoje, a redução progressiva do tamanho das moradias ocupadas por famílias e profissionais de classe média é uma tendência em regiões centrais de metrópoles dos mais variados cantos do globo - dos EUA ao Canadá e Grã-Bretanha - o que vem alimentando uma série de polêmicas e debates.



Afinal, o homem está preparado para viver em espaços que na geração passada correspondiam a uma sala ou duas vagas grandes de garagem (25 m²)? Qual o limite para a redução dos espaços das moradias humanas?



O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, é um dos que acreditam que o miniapartamento é o futuro inevitável do mercado imobiliário das grandes metrópoles - ou a pequena solução para os grandes problemas de falta de moradia e preços exorbitantes dos imóveis atualmente disponíveis.



Hoje, o aluguel de um studio em Manhatan gira em torno de US$ 2.700 (R$ 5.300). Desde 1987, uma lei proíbe a construção de moradias de menos de 37 m² - e até pouco tempo a regra só podia ser quebrada para as "moradias sociais", que abrigam populações vulneráveis.



Bloomberg, porém, resolveu abrir uma exceção para um projeto piloto de cubículos habitáveis. Um concurso foi lançado no ano passado - o "adAPT" - e o microapartamento vencedor, um projeto com 55 unidades que têm de 23 m² a 34 m², deve ficar pronto em 2014. Se for bem recebido pelo mercado e a população, a ideia é que a lei seja mudada.



Inovações



Antes disso, porém, os finalistas do adAPT podem ser conferidos na exposição Making Room ("Abrindo Espaço") organizado no Museu da Cidade de Nova York para expôr as inovações arquitetônicas e de design que fariam dos microapartamentos soluções viáveis para a questão da moradia no século 21, segundo entusiastas.



A exposição tem um modelo em escala natural de uma microquitinete com móveis versáteis - como uma cama que pode ser escondida na parede, liberando espaço para uma sala. Também inclui o projeto de um apartamento especialmente desenhado para grupos de solteiros - dividido em áreas comuns compartilhadas e áreas privativas reduzidas.



"Além disso, expusemos projetos já construídos em outras cidades e países", disse à BBC Brasil o curador da exposição, Donald Albrecht, especialista em design e arquitetura.



O arquiteto Gary Chang, por exemplo, projetou em Hong Kong um miniflat com paredes móveis, que escondem utensílios e podem criar 24 ambientes diferentes em uma área mínima. Outros projetos exibem janelas amplas, pés direitos altos e uma infinidade de estratagemas para ampliar a "sensação de espaço".



"Hoje há uma série de profissionais trabalhando no aprimoramento de microapartamentos em lugares como Vancouver e Montreal, no Canadá, Seattle e San Diego, nos EUA, Tóquio e Hong Kong, onde eles já são uma realidade", diz Albrecht.



A cidade de San Francisco em novembro mudou sua regulamentação para reduzir o limite mínimo de tamanho dos imóveis para 20 m².



"É difícil pensar em uma solução para o problema de moradia nas metrópoles modernas, superpopuladas, que não passe pela quitinete", acredita Albrecht.



Críticas



Há quem discorde. Nos EUA, por exemplo, diversos urbanistas se opuseram à iniciativa de Bloomberg, entre eles Richard Forida.



Na sua opinião, para se fomentar comunidades mais dinâmicas e com mais qualidade de vida, as cidades deveriam se expandir "para fora", não adotar soluções que permitam o seu adensamento populacional, como os microflats e a expansão "para o alto".



Entre as estratégias que poderiam dar apoio a essa solução alternativa estão, por exemplo, o investimento em sistemas de transporte para conectar áreas centrais a periféricas e incentivos para o trabalho de casa.



No Brasil, Paulo Fabrianni, vice-presidente da ADEMI (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) do Rio de Janeiro apresenta argumentos semelhantes aos de críticos de Bloomberg para justificar o atual limite de 50 m² para os imóveis novos da capital carioca.



"É possível que esse limite seja flexibilizado para a Zona Norte e regiões do Centro, onde há espaço para construir e a densidade populacional ainda não é tão grande", diz Fabrianni, ao ser questionado sobre o interesse do mercado carioca pelos microapartamentos.



"Para a maior parte da cidade, porém, a restrição faz sentido porque tais áreas já estão no limite de sua capacidade de absorção e adensamento populacional. Não haveria mais espaço nas ruas para mais carros, nem uma oferta suficiente de serviços públicos."



Londres



No Reino Unido, o debate sobre os "apartamenticos" também é acalorado, como explica Sean Griffiths, diretor do estúdio de arquitetura Fashion Architecture Taste, em Londres, e professor visitante da Universidade de Yale.



Griffiths diz que uma tentativa de lançar microapartamentos novos no mercado londrino na década passada teve relativamente pouco sucesso e que haveria uma suposta resistência de agentes financiadores a esse produto. Há algum tempo, porém, casas e edifícios centenários da cidade têm sido divididos em diversas unidades imobiliárias.



Em 2010, um cômodo de 8 m² usado para guardar vassouras e esfregões em um edifício no bairro exclusivo de Knightsbridge (perto da famosa loja de departamentos Harrods) chegou a ter seu valor estimado em 200.000 libras (R$ 607 mil) ao ser convertido em microapartamento.



Segundo analistas, tal supervalorização é impulsionada tanto pela especulação de investidores quanto pelo aumento de 12% no número de habitantes da cidade na última década. Para completar, a legislação vigente impede que Londres se expanda para além do que é conhecido como seu "cinturão verde".



"Por uma questão cultural, os britânicos não gostam nem sequer de morar em apartamento - só uma casa com jardim é vista como um verdadeiro ′lar′. Por outro lado, também há muita resistência à expansão vertical das cidades por causa do impacto ambiental potencial dessa solução", diz Griffiths.



"Se todos quisessem morar em pequenas comunidades em áreas verdes não haveria mais áreas verdes. Por isso, não vejo muito como fugir de um futuro marcado pela expansão dos microapartamentos também por aqui. Ao menos até uma possível reversão das atuais tendências demográficas da cidade", opina.



Fonte: Folha Online - 19/02/2013